C‰mara Municipal do Rio de Janeiro

 


PROJETO DE LEI N¼ 1844/2008

 

DISPÍE SOBRE O DIREITO A OBJE‚ÌO DE CONSCIæNCIA - ABSTEN‚ÌO DE QUALQUER ATO OU PRçTICA QUE COLIDA COM A CONSCIæNCIA DA PESSOA,  PREVISTA NO INCISO VIII DO ARTIGO 5¼ DA CONSTITUI‚ÌO FEDERAL, REFERENTE Ë EXPERIMENTA‚ÌO ANIMAL, NO MUNICêPIO DO RIO DE JANEIRO.

 

Autor: Vereador Cl‡udio Cavalcanti

 

A CåMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO

 

Decreta:

 

            Art. 1¼ Esta Lei disp›e sobre a obje�‹o de consci�ncia – absten�‹o de qualquer ato ou pr‡tica que colida com sua consci�ncia, prevista no inciso VIII do art. 5¼ da Constitui�‹o Federal, no que se refere  ˆ experimenta�‹o animal, no Munic’pio do Rio de Janeiro.

 

            Art. 2¼ .As pessoas que, por obedi�ncia ˆ consci�ncia, no exerc’cio do direito ˆs liberdades de pensamento, cren�a ou religi‹o, se op›em ˆ viol�ncia contra todos os seres viventes, podem declarar sua obje�‹o de consci�ncia referente a cada ato conexo ˆ experimenta�‹o animal.

           

            Art. 3¼ Os pesquisadores, os profissionais licenciados, os tŽcnicos, bem como os estudantes universit‡rios que tenham declarado a obje�‹o de consci�ncia n‹o s‹o obrigados a tomar parte diretamente nas atividades e nas interven�›es espec’ficas e ligadas ˆ experimenta�‹o animal.

            ¤ 1¼ Fica vedada a aplica�‹o de qualquer medida ou conseqŸ�ncia desfavor‡vel como repres‡lia ou puni�‹o em virtude da declara�‹o da obje�‹o de consci�ncia que legitima a recusa da pr‡tica ou coopera�‹o na execu�‹o de experimenta�‹o animal.

            ¤ 2¼ As universidades dever‹o estipular como facultativa a freqŸ�ncia ˆs pr‡ticas nas quais estejam previstas atividades de experimenta�‹o animal.

            ¤ 3¼  No ‰mbito dos cursos dever‹o ser previstas, a partir do in’cio do ano acad�mico, sucessivo ˆ data de vig�ncia da presente lei, modalidades alternativas de ensino que n‹o prevejam atividades ou interven�›es de experimenta�‹o animal, a fim de estimular a progressiva substitui�‹o do uso de animais.

 

            Art. 4¼ Os biotŽrios e estabelecimentos que utilizam animais para experimenta�‹o, bem como as entidades de ensino que ainda utilizam animais vivos para fins did‡ticos, devem divulgar e disponibilizar um formul‡rio impresso em que a pessoa interessada poder‡ declarar sua obje�‹o de consci�ncia, eximindo-se da pr‡tica de quaisquer experimentos que v‹o contra os ditames de sua consci�ncia, seus princ’pios Žticos e morais, cren�a ou convic�‹o filos—fica.

            ¤ 1¼ A declara�‹o de obje�‹o de consci�ncia poder‡ ser revogada a qualquer tempo pelo declarante.

            ¤ 2¼ A obje�‹o de consci�ncia pode ser declarada pelo interessado ao respons‡vel pela estrutura, —rg‹o, entidade ou estabelecimento junto ao qual s‹o desenvolvidas as atividades ou interven�›es de experimenta�‹o animal, ou ao respons‡vel pela atividade ou interven�‹o de experimenta�‹o animal, no momento de seu in’cio, que dever‡ indicar ao interessado a realiza�‹o ou elabora�‹o de pr‡tica ou trabalho substitutivo, compat’vel com suas convic�›es.

            ¤ 3¼  Caso o interessado entenda que a pr‡tica ou trabalho substitutivo n‹o seja compat’vel com suas convic�›es, dever‡ reportar-se ˆ Comiss‹o de ƒtica da respectiva entidade, estabelecimento, —rg‹o pœblico ou privado legitimado ˆ pr‡tica da experimenta�‹o animal, o qual poder‡ manter ou reformar a presta�‹o alternativa indicada, ap—s aprecia�‹o do pedido e sua resposta, atravŽs de informa�›es prestadas pelo respons‡vel pela atividade ou interven�‹o de experimenta�‹o animal, devendo regulamentar os prazos de interposi�‹o e aprecia�‹o do pedido e da resposta para este fim.

 

            Art. 5¼ As entidades, estabelecimentos ou —rg‹os pœblicos ou privados legitimados ˆ pr‡tica da experimenta�‹o animal devem esclarecer a todos os funcion‡rios, colaboradores ou estudantes sobre o direito ao exerc’cio da obje�‹o de consci�ncia.

            Art. 6¼ Constitui infra�‹o, para os efeitos desta Lei, toda a�‹o ou omiss‹o que importe na inobserv‰ncia de preceitos estabelecidos ou na desobedi�ncia ˆs determina�›es de car‡ter normativo dos —rg‹os das autoridades administrativas competentes.

 

            Art. 7¼ As infra�›es ˆs disposi�›es desta lei ser‹o punidas com as seguintes penalidades:

            I - advert�ncia;

            II - multa de dois mil reais;

            III - suspens‹o de Licen�a de Funcionamento;

            IV - cassa�‹o da Licen�a de Funcionamento

            ¤ 1¼ Nos casos de reincid�ncia, caracterizados pelo cometimento de nova infra�‹o da mesma natureza e gravidade, a multa corresponder‡ ao dobro da anteriormente imposta, cumulativamente.

            ¤ 2¼ A penalidade prevista no inciso IV deste artigo ser‡ imposta nos casos de infra�‹o continuada e a partir da segunda reincid�ncia.

            ¤ 3¼ Responder‡ pela infra�‹o quem, por qualquer modo a cometer, concorrer para sua pr‡tica ou dela se beneficiar.

            Art. 8¼ As multas poder‹o ter sua exigibilidade suspensa, quando o infrator se obrigar ˆ ado�‹o de medidas espec’ficas para fazer cessar e corrigir a infra�‹o, nos termos e condi�›es aceitas e aprovadas pelas autoridades competentes.

 

            Art. 9¼ Esta Lei entra em vigor na data de sua publica�‹o.

 

            Plen‡rio Teot™nio Villela, 27 de agosto de 2008.

 

 

 

Vereador CLçUDIO CAVALCANTI

 

JUSTIFICATIVA:

            A obje�‹o de consci�ncia - ou seja o direito que cada cidad‹o tem de se abster de atos ou atividades que colidam com sua consci�ncia,  princ’pios Žticos e/ou ideologia, sem que com isso sofra qualquer tipo de san�‹o, restri�‹o ou discrimina�‹o - Ž direito constitucional, previsto no inciso VIII do artigo 5¼ da Constitui�‹o Federal e inclu’do no T’tulo dos Direitos e Garantias Fundamentais. A matŽria vem sendo regulamentada nos C—digos de Prote�‹o aos Animais de outros Estados e Munic’pios do Brasil e o Munic’pio do Rio, sempre na vanguarda de todos os movimentos sociais, inclusive na prote�‹o do meio ambiente e especificamente na defesa dos animais t�m o dever de regulamentar esta matŽria para, no exerc’cio de seu Poder de Pol’cia, contribuir para o cumprimento daquele direito assegurado a todos os que, em raz‹o de suas convic�›es filos—ficas, religiosas ou qualquer outra de foro ’ntimo,  sintam-se impedidos de executar determinadas pr‡ticas com animais.

 

 

 

 

 

LEGISLA‚ÌO CITADA

CONSTITUI‚ÌO FEDERAL

 

TêTULO II
DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPêTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

           

            Art. 5¼ Todos s‹o iguais perante a lei, sem distin�‹o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa’s a inviolabilidade do direito ˆ vida, ˆ liberdade, ˆ igualdade, ˆ seguran�a e ˆ propriedade, nos termos seguintes:

            ...........................................................................................................

      VIII - ninguŽm ser‡ privado de direitos por motivo de cren�a religiosa ou de convic�‹o filos—fica ou pol’tica, salvo se as invocar para eximir-se de obriga�‹o legal a todos imposta e recusar-se a cumprir presta�‹o alternativa, fixada em lei;