DISPÍE SOBRE O DIREITO A OBJE‚ÌO DE CONSCIæNCIA -
ABSTEN‚ÌO DE QUALQUER ATO OU PRçTICA QUE COLIDA COM A CONSCIæNCIA DA
PESSOA, PREVISTA NO INCISO VIII
DO ARTIGO 5¼ DA CONSTITUI‚ÌO FEDERAL, REFERENTE Ë EXPERIMENTA‚ÌO ANIMAL, NO
MUNICêPIO DO RIO DE JANEIRO.
A CåMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
Decreta:
Art.
1¼ Esta Lei disp›e sobre a obje�‹o de consci�ncia – absten�‹o de qualquer
ato ou pr‡tica que colida com sua consci�ncia, prevista no inciso VIII do art.
5¼ da Constitui�‹o Federal, no que se refere ˆ experimenta�‹o animal, no Munic’pio do Rio de Janeiro.
Art.
2¼ .As pessoas que, por obedi�ncia ˆ consci�ncia, no exerc’cio do direito ˆs
liberdades de pensamento, cren�a ou religi‹o, se op›em ˆ viol�ncia contra todos
os seres viventes, podem declarar sua obje�‹o de consci�ncia referente a cada
ato conexo ˆ experimenta�‹o animal.
Art.
3¼ Os pesquisadores, os profissionais licenciados, os tŽcnicos, bem como os
estudantes universit‡rios que tenham declarado a obje�‹o de consci�ncia n‹o s‹o
obrigados a tomar parte diretamente nas atividades e nas interven�›es
espec’ficas e ligadas ˆ experimenta�‹o animal.
¤
1¼ Fica vedada a aplica�‹o de qualquer medida ou conseqŸ�ncia desfavor‡vel como
repres‡lia ou puni�‹o em virtude da declara�‹o da obje�‹o de consci�ncia que
legitima a recusa da pr‡tica ou coopera�‹o na execu�‹o de experimenta�‹o
animal.
¤
2¼ As universidades dever‹o estipular como facultativa a freqŸ�ncia ˆs pr‡ticas
nas quais estejam previstas atividades de experimenta�‹o animal.
¤
3¼ No ‰mbito dos cursos dever‹o
ser previstas, a partir do in’cio do ano acad�mico, sucessivo ˆ data de
vig�ncia da presente lei, modalidades alternativas de ensino que n‹o prevejam
atividades ou interven�›es de experimenta�‹o animal, a fim de estimular a
progressiva substitui�‹o do uso de animais.
Art.
4¼ Os biotŽrios e estabelecimentos que utilizam animais para experimenta�‹o,
bem como as entidades de ensino que ainda utilizam animais vivos para fins
did‡ticos, devem divulgar e disponibilizar um formul‡rio impresso em que a
pessoa interessada poder‡ declarar sua obje�‹o de consci�ncia, eximindo-se da
pr‡tica de quaisquer experimentos que v‹o contra os ditames de sua consci�ncia,
seus princ’pios Žticos e morais, cren�a ou convic�‹o filos—fica.
¤
1¼ A declara�‹o de obje�‹o de consci�ncia poder‡ ser revogada a qualquer tempo
pelo declarante.
¤
2¼ A obje�‹o de consci�ncia pode ser declarada pelo interessado ao respons‡vel
pela estrutura, —rg‹o, entidade ou estabelecimento junto ao qual s‹o
desenvolvidas as atividades ou interven�›es de experimenta�‹o animal, ou ao
respons‡vel pela atividade ou interven�‹o de experimenta�‹o animal, no momento
de seu in’cio, que dever‡ indicar ao interessado a realiza�‹o ou elabora�‹o de
pr‡tica ou trabalho substitutivo, compat’vel com suas convic�›es.
¤
3¼ Caso o interessado entenda que
a pr‡tica ou trabalho substitutivo n‹o seja compat’vel com suas convic�›es,
dever‡ reportar-se ˆ Comiss‹o de ƒtica da respectiva entidade, estabelecimento,
—rg‹o pœblico ou privado legitimado ˆ pr‡tica da experimenta�‹o animal, o qual
poder‡ manter ou reformar a presta�‹o alternativa indicada, ap—s aprecia�‹o do
pedido e sua resposta, atravŽs de informa�›es prestadas pelo respons‡vel pela
atividade ou interven�‹o de experimenta�‹o animal, devendo regulamentar os
prazos de interposi�‹o e aprecia�‹o do pedido e da resposta para este fim.
Art.
5¼ As entidades, estabelecimentos ou —rg‹os pœblicos ou privados legitimados ˆ
pr‡tica da experimenta�‹o animal devem esclarecer a todos os funcion‡rios,
colaboradores ou estudantes sobre o direito ao exerc’cio da obje�‹o de
consci�ncia.
Art.
6¼ Constitui infra�‹o, para os efeitos desta Lei, toda a�‹o ou omiss‹o que
importe na inobserv‰ncia de preceitos estabelecidos ou na desobedi�ncia ˆs
determina�›es de car‡ter normativo dos —rg‹os das autoridades administrativas
competentes.
Art.
7¼ As infra�›es ˆs disposi�›es desta lei ser‹o punidas com as seguintes
penalidades:
I
- advert�ncia;
II
- multa de dois mil reais;
III
- suspens‹o de Licen�a de Funcionamento;
IV
- cassa�‹o da Licen�a de Funcionamento
¤
1¼ Nos casos de reincid�ncia, caracterizados pelo cometimento de nova infra�‹o
da mesma natureza e gravidade, a multa corresponder‡ ao dobro da anteriormente
imposta, cumulativamente.
¤
2¼ A penalidade prevista no inciso IV deste artigo ser‡ imposta nos casos de
infra�‹o continuada e a partir da segunda reincid�ncia.
¤
3¼ Responder‡ pela infra�‹o quem, por qualquer modo a cometer, concorrer para
sua pr‡tica ou dela se beneficiar.
Art.
8¼ As multas poder‹o ter sua exigibilidade suspensa, quando o infrator se
obrigar ˆ ado�‹o de medidas espec’ficas para fazer cessar e corrigir a
infra�‹o, nos termos e condi�›es aceitas e aprovadas pelas autoridades
competentes.
Art.
9¼ Esta Lei entra em vigor na data de sua publica�‹o.
Plen‡rio
Teot™nio Villela, 27 de agosto de 2008.
Vereador CLçUDIO CAVALCANTI
JUSTIFICATIVA:
A
obje�‹o de consci�ncia - ou seja o direito que cada cidad‹o tem de se abster de
atos ou atividades que colidam com sua consci�ncia, princ’pios Žticos e/ou ideologia, sem que com isso sofra
qualquer tipo de san�‹o, restri�‹o ou discrimina�‹o - Ž direito constitucional,
previsto no inciso VIII do artigo 5¼ da Constitui�‹o Federal e inclu’do no
T’tulo dos Direitos e Garantias Fundamentais. A matŽria vem sendo regulamentada
nos C—digos de Prote�‹o aos Animais de outros Estados e Munic’pios do Brasil e
o Munic’pio do Rio, sempre na vanguarda de todos os movimentos sociais,
inclusive na prote�‹o do meio ambiente e especificamente na defesa dos animais
t�m o dever de regulamentar esta matŽria para, no exerc’cio de seu Poder de
Pol’cia, contribuir para o cumprimento daquele direito assegurado a todos os
que, em raz‹o de suas convic�›es filos—ficas, religiosas ou qualquer outra de
foro ’ntimo, sintam-se impedidos
de executar determinadas pr‡ticas com animais.
LEGISLA‚ÌO CITADA
CONSTITUI‚ÌO FEDERAL
TêTULO II
DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CAPêTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Art.
5¼ Todos s‹o iguais perante a lei, sem distin�‹o de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa’s a inviolabilidade
do direito ˆ vida, ˆ liberdade, ˆ igualdade, ˆ seguran�a e ˆ propriedade, nos
termos seguintes:
...........................................................................................................
VIII - ninguŽm ser‡ privado de
direitos por motivo de cren�a religiosa ou de convic�‹o filos—fica ou pol’tica,
salvo se as invocar para eximir-se de obriga�‹o legal a todos imposta e
recusar-se a cumprir presta�‹o alternativa, fixada em lei;