O Presidente da C‰mara Municipal do Rio de Janeiro nos termos do art. 79, ¤ 7¼, da Lei Org‰nica do Munic’pio do Rio de Janeiro, de 5 de abril de 1990, n‹o exercida a disposi�‹o do ¤ 5¼ do artigo acima, promulga a Lei n¼ 4.956, de 3 de dezembro de 2008, oriunda do Projeto de Lei n¼ 1583, de 2007, de autoria do Senhor Vereador Cl‡udio Cavalcanti.

LEI N¼ 4.956, DE  3  DE DEZEMBRO DE 2008

 

Disp›e sobre o animal comunit‡rio, estabelece normas para seu atendimento no Munic’pio do Rio de Janeiro, e d‡ outras provid�ncias.

 

            Art. 1¡ Fica considerado como animal comunit‡rio aquele que, apesar de n‹o ter propriet‡rio definido e œnico, estabeleceu com membros da popula�‹o do local onde vive v’nculos de afeto, depend�ncia e manuten�‹o.

            Art. 2¡ Ficam estabelecidas normas de identifica�‹o, controle e atendimento a animais comunit‡rios, na forma prevista nesta Lei.

            Art. 3¡ O animal comunit‡rio dever‡ ser mantido  no local onde se encontra, sob os cuidados do îrg‹o Municipal para este fim apontado e cujas atribui�›es est‹o relacionadas a seguir;

            I- prestar atendimento mŽdico veterin‡rio gratuito;

            II- realizar esteriliza�‹o gratuita conforme disposto na  Lei  n¼ 3.739, de 30 de abril de 2004;

            III- proceder ˆ identifica�‹o a ser feita por meio de cadastro renov‡vel anualmente.

            Art. 4¡ Ser‹o respons‡veis-tratadores do animal comunit‡rio aqueles membros da comunidade que com ele tenham estabelecido v’nculos de afeto e depend�ncia rec’proca e que para tal fim se disponham voluntariamente. 

            Par‡grafo œnico. Os respons‡veis-tratadores ser‹o cadastrados pelo org‹o supra-citado e receber‹o crach‡ do qual constar‡ qualifica�‹o completa e logotipo da Prefeitura do Rio de Janeiro.

            Art. 5¡  Caber‡ ao Poder  Executivo Municipal determinar o org‹o que proceder‡ a implementa�‹o das disposi�›es expressas nesta Lei.

            Art. 6¡  Esta Lei entra em vigor na data de sua publica�‹o.

 

C‰mara Municipal do Rio de Janeiro, em  3  de dezembro de 2008.

 

Vereador ALOISIO FREITAS

Presidente

PROMULGADA - EM VIGOR

Este texto n‹o substitui o publicado no Di‡rio Oficial de 03/12/2008

 

 

JUSTIFICATIVA - Projeto de Lei n¼ 1583, de 2007

            A  Constitui�‹o Federal em seu cap’tulo VI , art.225, par‡grafo primeiro, inciso VII,  considera dever do Estado e da Coletividade zelar pelos animais e impedir as pr‡ticas que os submetam ˆ crueldade.

            O animal comunit‡rio - aquele que,  sem  propriet‡rio definido, se integra ˆ vida de uma comunidade de forma a com seus membros estabelecer la�os de afeto e depend�ncia rec’procos, la�os esses que lhe garantem abrigo e condi�›es de sobreviv�ncia -  alŽm de representar a transposi�‹o para a vida pr‡tica dos preceitos constitucionais,  det�m a import‰ncia psicossocial de intera�‹o, comportamento cooperativo, responsabilidade,  cidadania e fortalecimento do tecido comunit‡rio.

            Torna-se indispens‡vel portanto a caracteriza�‹o do animal comunit‡rio como figura integrante da vida urbana.

 

 

 

 

 

 

 

CONSTITUI‚ÌO FEDERAL

TêTULO VIII

DA ORDEM SOCIAL

............................................................................................

CAPêTULO VI

DO MEIO AMBIENTE

 

            Art. 225. Todos t�m direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial ˆ sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Pœblico e ˆ coletividade o dever de defend�-lo e preserv‡- lo para as presentes e futuras gera�›es.

            ¤ 1¼ - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Pœblico:

            I - preservar e restaurar os processos ecol—gicos essenciais e prover o manejo ecol—gico das espŽcies e ecossistemas;

            II - preservar a diversidade e a integridade do patrim™nio genŽtico do Pa’s e fiscalizar as entidades dedicadas ˆ pesquisa e manipula�‹o de material genŽtico;  

            III - definir, em todas as unidades da Federa�‹o, espa�os territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a altera�‹o e a supress‹o permitidas somente atravŽs de lei, vedada qualquer utiliza�‹o que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua prote�‹o; 

            IV - exigir, na forma da lei, para instala�‹o de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degrada�‹o do meio ambiente, estudo prŽvio de impacto ambiental, a que se dar‡ publicidade;

            V - controlar a produ�‹o, a comercializa�‹o e o emprego de tŽcnicas, mŽtodos e subst‰ncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;

            VI - promover a educa�‹o ambiental em todos os n’veis de ensino e a conscientiza�‹o pœblica para a preserva�‹o do meio ambiente;

            VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as pr‡ticas que coloquem em risco sua fun�‹o ecol—gica, provoquem a extin�‹o de espŽcies ou submetam os animais a crueldade. 

            ¤ 2¼ - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solu�‹o tŽcnica exigida pelo —rg‹o pœblico competente, na forma da lei.

            ¤ 3¼ - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitar‹o os infratores, pessoas f’sicas ou jur’dicas, a san�›es penais e administrativas, independentemente da obriga�‹o de reparar os danos causados.

            ¤ 4¼ - A Floresta Amaz™nica brasileira, a Mata Atl‰ntica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira s‹o patrim™nio nacional, e sua utiliza�‹o far-se-‡, na forma da lei, dentro de condi�›es que assegurem a preserva�‹o do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

            ¤ 5¼ - S‹o indispon’veis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por a�›es discriminat—rias, necess‡rias ˆ prote�‹o dos ecossistemas naturais.

            ¤ 6¼ - As usinas que operem com reator nuclear dever‹o ter sua localiza�‹o definida em lei federal, sem o que n‹o poder‹o ser instaladas.

 Legisla�‹o Citada:

 

LEI N.¼ 3.739, DE 30 DE ABRIL DE 2004

            Caracteriza a esteriliza�‹o gratuita de caninos, felinos e eqŸinos como fun�‹o de saœde pœblica, institui sua pr‡tica como mŽtodo oficial de controle populacional e de zoonoses, pro’be o exterm’nio sistem‡tico de animais urbanos, e d‡ outras provid�ncias.

 

Autor: Vereador Cl‡udio Cavalcanti

 

            O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, fa�o saber que a C‰mara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

 

            Art. 1.¼  Fica caracterizado o controle populacional e de zoonoses de  caninos, felinos e eqŸinos, no Munic’pio do Rio de Janeiro,  como  fun�‹o de saœde pœblica.

            Art. 2.¼  O controle populacional e de zoonoses ser‡ exercido mediante a pr‡tica da esteriliza�‹o cirœrgica, promovida e coordenada pelo Poder Pœblico Municipal, de forma inteiramente gratuita e acess’vel a todo mun’cipe, independentemente de comprova�‹o de renda.

            ¤ 1.¼  Fica expressamente proibido o exterm’nio  de animais urbanos excedentes ou abandonados como controle  populacional ou de zoonoses.

            ¤ 2.¼  Fica expressamente proibida a cobran�a de qualquer taxa que incida sobre o servi�o de esteriliza�‹o prestado.

            Art. 3.¼  As cirurgias de esteriliza�‹o ser‹o realizadas  nos estabelecimentos municipais que j‡ tenham as instala�›es e equipamentos necess‡rios a esta finalidade, bem como naqueles que futuramente forem adequados  para tal finalidade.

            Art. 4.¼  Fica o Poder  Executivo autorizado a  abrir crŽditos or�ament‡rios suplementares para:

            I - ampliar as instala�›es j‡ existentes para esteriliza�‹o cirœrgica;

            II - criar campanhas adicionais de esteriliza�‹o, podendo para tal contratar profissionais para,  no tempo de cada campanha,  atuar em sua prepara�‹o, implanta�‹o,  execu�‹o e avalia�‹o;

            III - promover, pelos meios de comunica�‹o adequados,  campanhas para a divulga�‹o das disposi�›es desta Lei, assim como as campanhas educativas necess‡rias ˆ assimila�‹o da  posse respons‡vel de animais urbanos como obriga�‹o de cidadania;

            IV - estabelecer conv�nios com institui�›es apropriadas e capacitadas para a realiza�‹o dos programas de esteriliza�‹o gratuita.

            Art. 5.¼  Os procedimentos cirœrgicos de esteriliza�‹o dever‹o obedecer ˆs  seguintes condi�›es:

            I - realiza�‹o das cirurgias por equipe composta de  mŽdicos veterin‡rios, aprovada pelo Munic’pio como apta para tal;

            II - utiliza�‹o de procedimento anestŽsico adequado ˆs espŽcies, atravŽs de anestesia geral, podendo ser ela inalat—ria ou injet‡vel.

            Par‡grafo œnico.  Fica expressamente proibida a realiza�‹o do ato cirœrgico antes de ser atingido, pelo animal, est‡gio de absoluta insensibilidade a qualquer tipo de est’mulo doloroso.

            Art. 6.¼  Na aplica�‹o desta Lei ser‡ observada a Constitui�‹o Federal, em especial o art. 225, ¤ 1¼, inciso VII; a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal n¼ 9.605 de 12 de fevereiro de 1998), em especial o artigo 32, ¤ 1¼ e ¤ 2¼; a Lei das Contraven�›es Penais (Decreto-Lei n¼ 3.688 de 3 de outubro de 1941); e o Decreto Federal n¼ 24.645 de 10 de julho de 1934.

            Art. 7.¼  Os procedimentos administrativos e funcionais a serem adotados para a operacionaliza�‹o da esteriliza�‹o gratuita  ser‹o de responsabilidade do  Poder Executivo.

            Art. 8.¼  Esta Lei entra em vigor na data de sua publica�‹o.

 

CESAR MAIA

Prefeito